A CENTRALIDADE DO VIOLÃO DE GUINGA: TENSÕES ENTRE VISUALIDADE E AUDIOTATILIDADE
Nome: JOÃO VICTOR CASTRO CHEQUETTO
Data de publicação: 23/02/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| CELSO GARCIA DE ARAÚJO RAMALHO | Examinador Externo |
| FABIANO ARAUJO COSTA | Presidente |
| JOSE EDUARDO COSTA SILVA | Examinador Interno |
Resumo: Neste trabalho desenvolvemos uma investigação sobre os processos formativos da obra de Guinga a partir de uma perspectiva mediológica e cognitiva, centrada na Teoria das Músicas Audiotáteis (TMA). O estudo tem como eixo a compreensão do violão não apenas como instrumento, mas como agente de uma mediação cognitiva que ativa esquemas gestuais e perceptivos responsáveis pela organização composicional e do discurso musical. Partindo da distinção entre regimes de matriz visual e audiotátil, problematizamos a insuficiência de abordagens analíticas baseadas exclusivamente na notação para dar conta de práticas criativas enraizadas na racionalidade do corpo e na fonografia. A análise fonográfica de gravações representativas de diferentes fases da produção de Guinga permitiu evidenciar a centralidade das fôrmas como “partituras mentais” e a recorrência de padrões audiotáteis oriundos da prática violonística brasileira. Demonstramos que a complexidade harmônica de sua obra não decorre de uma simples transposição de procedimentos de uma escrita erudita, mas de uma intrincada elaboração de processos audiotáteis, estabilizados e transmitidos pela mediação tecnológica da gravação. Ao reinterpretar a recorrente classificação de sua música como situada “entre o popular e o erudito” como efeito de regimes cognitivos distintos, a pesquisa busca contribuir para a ampliação dos instrumentos teóricos da musicologia, apontando para a necessidade de modelos analíticos capazes de integrar gesto, corpo, instrumento e fonografia na compreensão da formatividade musical.
