Defesa de dissertação - Daniel Enache Junior
Título: CURADOR DE BRASILIDADES: TRÊS MOMENTOS DA OBRA PARA VIOLONCELO E PIANO DE HEITOR VILLALOBOS
Data: 20/03/2026
Horário: 10:30h (Brasília)
Local: Webconferência - https://conferenciaweb.rnp.br/sala/alexandre-siqueira-de-freitas
Banca Examinadora:
Prof. Dr. Alexandre Siqueira de Freitas (Orientador – PPGA/UFES)
Prof. Dr. José Eduardo Costa Silva (Coorientador – PPGA/UFES)
Prof. Dr. Daniel Tápia (Avaliador Interno – PPGA/UFES)
Prof. Dr. Hugo Vargas Pilger (Avaliador Externo – PROEMUS-UNIRIO)
Resumo:
O presente trabalho aborda a formação do modernismo musical brasileiro como o resultado de um processo intelectual e artístico que se fundamentou na antropofagia cultural e no nacionalismo musical, destacando o papel central de Oswald de Andrade e Mário de Andrade na construção de um pensamento estético que teve Heitor Villa-Lobos como figura relevante no campo da música de concerto. Como representante do modernismo musical, destacamos o compositor como “curador” da música brasileira, para além de sua atuação composicional e educacional, contribuindo significativamente para a difusão nacional e global da música brasileira. Neste contexto, a pesquisa buscou identificar elementos do modernismo brasileiro nas obras para violoncelo e piano de Villa-Lobos, a partir da análise de três obras representativas do seu processo de amadurecimento composicional, a saber: Pequena Suite (1913-14), Bachianas Brasileiras nº 2 (1930) e Divagação (1946). Foram utilizadas duas ferramentas de análise: o conceito de “janelas hermenêuticas”, de Lawrence Kramer (1992), e “migrações”, de Cinta Cristiá (2012). A partir destes referenciais, a pesquisa investigou como elementos textuais, citacionais e estruturais, aliados a processos de migração conceitual, material, morfológica e textural, contribuem para a construção de significados extramusicais derivados do pensamento modernista. Como resultado, observou-se o amadurecimento da linguagem musical/modernista do compositor, que parte de fortes referências à tradição europeia na primeira obra, passando pela integração entre elementos contrapontísticos e referências imagéticas da cultura brasileira na segunda obra, chegando por fim à assimilação equilibrada de influências nacionais e estrangeiras na terceira obra através da utilização intrínseca de elementos sugeridos por Mário de Andrade para a formação do modernismo na música brasileira. Este percurso evidencia a síntese e assimilação do desejo antropofágico pelo compositor, contribuindo para a consolidação da ideia modernista de brasilidade.
Palavras-chave:
