Defesa de dissertação - Gilmar Antonio Monte
Título: Tempo e escuta na música de William Basinski
Data: 20/02/2026
Horário: 14:00h (Brasília)
Local: Webconferência - https://meet.google.com/jij-akrp-gwg
Banca Examinadora:
Prof. Dr. José Eduardo Costa Silva (Orientador – PPGA/UFES)
Prof. Dr. Daniel Tápia (Avaliador Interno – PPGA/UFES)
Prof. Dr. Renan Colombo Simões (Avaliador Externo – Dept de Artes/UERN)
Resumo: Este estudo investiga a música de William Basinski a partir de uma abordagem fenomenológica, tomando como referência as ideias de Martin Heidegger sobre tempo e ser. Parte-se da hipótese de que a obra do compositor instaura uma experiência singular de temporalidade e escuta, na qual a repetição hipnótica e a degradação sonora transcendem a percepção cronológica cotidiana, conduzindo o ouvinte a um campo temporal em que passado, presente e futuro coexistem. Analisa-se como os loops de fitas magnéticas degradadas, elemento central de sua poética, reconfiguram a relação entre som, memória e transitoriedade, criando um espaço sonoro que desvela a fragilidade da existência. O estudo concentra-se em três obras representativas — Disintegration Loop 1.1, Cascade e Tear Vial — descrevendo fenomenologicamente os elementos sonoros que estruturam suas temporalidades. Observa-se como os processos de repetição, permanência e deterioração instauram modos de escuta que ultrapassam a mera audição passiva, aproximando-se da noção heideggeriana de tempo ontológico. A dissertação organiza-se em três capítulos. O primeiro apresenta os fundamentos teóricos, expondo a distinção entre tempo ontológico e tempo ôntico e discutindo o conceito de mousiké como manifestação do lógos do ser. O segundo capítulo dedica-se à descrição fenomenológica das obras selecionadas, evidenciando suas camadas temporais e a maneira como a materialidade da gravação interfere na percepção da duração e da memória. O terceiro capítulo sintetiza os achados, ressaltando como a música de Basinski não apenas reflete, mas transforma a percepção do tempo e da existência. Ao articular a escuta das obras com a ontologia heideggeriana, o estudo busca ampliar a compreensão da música como fenômeno temporal e existencial, revelando sua capacidade de instaurar formas de experiência e modos de desvelamento do ser.
Palavras-chave: William Basinski; escuta fenomenológica; música experimental; Heidegger; tempo ontológico.
