ARTE E TESTEMUNHO NA URGÊNCIA DO PRESENTE: o desenho de Luis Trimano na série O Negro.

Nome: Luciano Barreto Ramos
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 26/09/2014
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Gisele Barbosa Ribeiro Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Aparecido Jose Cirilo Examinador Interno
Gisele Barbosa Ribeiro Orientador
SHEILA CABO GERALDO Examinador Externo

Resumo: Esta pesquisa pretende analisar a série de desenhos intitulada O Negro, do artista argentino radicado no Brasil, Luis Trimano, a partir das reflexões relativas aos conceitos de testemunho e apropriação no campo da arte. Busca primeiramente entender o testemunho, e de que maneira essa noção, quando afirmada de um ponto de vista ético-político, pode significar uma torção dos sentidos que objetificam o negro escravizado dentro de uma história oficial da escravidão (ou como “princípio da medida”, em Negri), desconstruindo, dentro desse contexto, toda a legitimação que se impõe para sua permanência. A dissertação procura estabelecer os nexos entre testemunho e arte a partir do dispositivo O Negro, ao mesmo tempo em que confirma a inseparabilidade com o político, considerando tornar possível acessar a experiência da escravidão no presente, assegurando que a obra, nesse sentido, ajude a potencializar tal afeto. Para isso, são importantes autores como Márcio Seligmann-Silva, Antonio Negri e Rosalyn Deutsche, que ajudarão na articulação teórica dessas concepções. Nessa mesma direção, através das contribuições de Guy Debord, Douglas Crimp e Benjamin Buchloh, o trabalho também tem a intenção de evidenciar as possíveis estratégias de apropriação adotadas pelo artista, ao se apoderar das fotografias de escravos urbanos tiradas no Rio de Janeiro pelo português Christiano Junior no final do século XIX. As noções de fragmentação e emenda que a obra apresenta, resultado dessa quebra da ideia sobre uma forma idealizada do mundo, auxilia nas discussões acerca da apropriação, na medida em que essas e outras imagens apropriadas por Trimano, de escravos a animais e objetos do cotidiano, destituídas de suas funções e significações primárias, são incorporadas à obra segundo um desvio eminentemente político, estabelecendo novas conexões e sentidos.

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