A PRODUÇÃO VIDEOGRÁFICA DOS GUARANI: ENTRE O POLÍTICO E A ARTE

Nome: Ivanirce Gomes Wolf
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 22/03/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Aissa Afonso Guimarães Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Aissa Afonso Guimarães Orientador
Erly Milton Vieira Junior Examinador Interno
Sandro Jose da Silva Examinador Externo

Resumo: Esta dissertação investiga a produção audiovisual de cineastas indígenas Guarani procurando entender em que esses vídeos se diferenciam da produção fílmica dos não-índios. A tomada de posição dos índios como cineastas tem início no trabalho do projeto Vídeo nas Aldeias, fundado em 1986, pelo cineasta Vincent Carelli, que colocou a câmera nas mãos de quem antes era unicamente objeto de filmagem. Essa troca de posições suscitou novas abordagens para estudos históricos e antropológicos. Objetivou-se, pois, refletir sobre a relação de índios e não-índios, e entender de que forma os estereótipos e a realidade política do mundo exterior afetaram os cineastas indígenas e sua produção artística. Para isso, considerou-se os estudos de especialistas sobre a cultura Guarani, da História, da Antropologia indígena e da Comunicação. A análise dos filmes produzidos pelos cineastas indígenas foi realizada através do estudo das narrativas colhidas nas entrevistas com esses cineastas e com membros da comunidade Guarani do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. As entrevistas realizadas em pesquisa de campo fornecem a base para a análise fílmica que se dá no cruzamento do olhar do pesquisador com o que emana das narrativas dos cineastas Guarani, utilizando o conceito da “representificação”, que se constrói a partir da premissa de que o filme suscita construção de sentidos com o espectador que se depara não com fatos, mas com relações constituídas pela história do filme. Procedeu-se análise de vídeos gravados em parceria com o projeto Vídeo na Aldeias, e em produções independentes, produzidos por cineastas indígenas, dentre os quais Alberto Alvares, Patrícia Ferreira, Ariel Ortega e Genito Gomes: “Guardiões da Memória” (2018), “Duas aldeias, uma caminhada” (2008), “Bicicletas de Nhanderu” (2011), e o videoinstalação “A imagem como arma” (2017), de Patrícia Ferreira, cineasta indígena, e de Sophia Pinheiro, artista plástica não-indígena, além de outras obras. A produção videográfica dos cineastas Guarani revela e é parte constituinte da relação que os cineastas indígenas têm com o “outro”, o branco, e com o mundo fora da aldeia. O cinema indígena se coloca na tela como reflexão sobre si mesmo, sobre vida e arte, como uma “arma” de indagação e como maneira de existir, de preservar a memória dos povos indígenas, um novo lugar de fala e de resistência política.
Palavras-chave: Arte indígena. Cinema. Diretores e produtores indígenas. Política na Arte. Índios Guarani. Artistas indígenas.

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