OS IDEAIS DE JEAN DUBUFFET PARA A CONCEPÇÃO DA ARTE BRUTA

Nome: Thays Alves Costa
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 11/04/2018
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Gaspar Leal Paz Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Almerinda da Silva Lopes Examinador Interno
Gaspar Leal Paz Orientador
Leila Aparecida Domingues Machado Examinador Externo

Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo a interpretação dos ideais do artista francês Jean Dubuffet, principalmente no que se refere às circunstâncias que propiciaram a concepção da terminologia arte bruta. Os posicionamentos estéticos, políticos e sociais defendidos por Dubuffet são de extrema importância para compreensão dos motivos que o levaram a colecionar as produções de internos em hospitais psiquiátricos e de enclausurados em prisões, marginalizados e silenciados por nossa sociedade ocidental, movida por paradigmas racionalistas. Em sua obra teórica - Dubuffet desenvolveu argumentações fundamentadas em escritores anarquistas ligados aos movimentos proletários, como o filósofo alemão Max Stirner. Nessa perspectiva, idealizou a arte bruta e defendeu certas premissas que corroboraram seu ideário, tais como a afinidade da arte bruta com a loucura, a ideia de uma arte libertária, a oposição aos sistemas preestabelecidos de arte e cultura, e a idealização de escolas de “desculturação”. Para ele, somente a arte bruta poderia se libertar das amarras culturais europeias, da normatividade excessiva e de outros aspectos por ele considerados negativos e que de certa maneira faziam parte de um projeto de ascensão da sociedade burguesa ocidental. Dessa forma, a arte bruta atingiria o status de arte libertária em oposição aos sistemas de arte tradicionais, que para ele, eram opressores. Para compreender essas ideias nos respaldamos ainda em fatos históricos de sua trajetória, já que a vida, a formação, como também as relações pessoais de Dubuffet, o influenciaram nessa busca por uma arte libertária. Nesse sentido, como fundamentação teórica desta dissertação foram utilizados alguns autores e conceitos que possibilitaram uma leitura coerente da obra plástica e teórica de Dubuffet, como o filósofo Michel Foucault, cuja obra revela uma pesquisa singular sobre a temática da loucura. Além disso, as acuradas argumentações foucaultianas, em perspectiva filosófica e estética, desafiam tabus, códigos dominantes, recusando segregações sociais e culturais. Deste modo, a pesquisa inicia-se com uma visão existencialista da produção de Dubuffet, passando pela crise niilista do início do século XX e pelas tendências artísticas baseadas no inconsciente freudiano e suas derivações, recorrendo às opiniões dos surrealistas Artaud e Breton, assim como as do próprio Dubuffet sobre o tratamento da loucura. Para tanto, apresentaremos e analisaremos alguns exemplos representativos da arte bruta que fazem parte do acervo do museu de Lausanne. Por fim, para alcançar os objetivos propostos e refletir sobre outras possibilidades de leitura e interpretação desse tipo de produção, serão abordados certos conceitos de Gilles Deleuze e Félix Guattari, como o das “sínteses do inconsciente” e de “criação de linhas de fuga”.

Palavras-chave: arte bruta, ideais anarquistas, informalismo, Jean Dubuffet, loucura

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