DA PERFORMANCE AO POSTAL: a arte postal de Paulo Bruscky

Nome: Sigrid Azevedo Tavares
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 21/09/2017
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Almerinda da Silva Lopes Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Almerinda da Silva Lopes Orientador
Gisele Barbosa Ribeiro Examinador Interno
Nelson Pôrto Ribeiro Examinador Externo

Resumo: Esta dissertação tem por objetivo refletir sobre a produção contemporânea de arte postal e de performance desenvolvida com essa finalidade, destacando a contribuição do artista brasileiro Paulo Bruscky. Ao longo de sua trajetória, iniciada na segunda metade da década de 1960, ele explorou a noção de corporalidade, realizando performances e happenings, além de se mostrar sempre um analista crítico da própria realidade social e política. Por essa razão, foi alvo de censura pela ditadura militar e teve exposições por ele organizadas, e das quais participava, confiscadas, além de ter sido perseguido e preso algumas vezes. As fotografias e/ou vídeos das inúmeras performances que realizou, individualmente ou em parceria com o conterrâneo Daniel
Santiago, foram transformados em trabalhos de arte postal. A eprodutibilidade é uma das características dessa tendência, processo relativamente barato que permitiu ao artista manter o fluxo da rede de comunicação, mediante o envio, pelo correio, desses trabalhos serializados a artistas de todo o mundo. Bruscky foi um dos mais atuantes e um dos principais mentores da arte postal no Brasil e em toda a América Latina. A reprodutibilidade e a interferência autorizadas nos trabalhos pelos receptores foram meios usados pelos participantes da rede para pôr em xeque a aura do objeto artístico, bem como a ideia de unidade, de originalidade e de autoria. Bruscky manteve efetivo contato e correspondência com muitos dos representantes dessa prática conceitualista, em especial aqueles de países que passavam por regimes ditatoriais truculentos, fazendo da arte postal um processo de comunicação para a troca de ideias, mensagens e denúncia política. Embora, em sua origem, a arte postal se instituísse como meio clandestino para troca de todo tipo de imagens, textos e poemas visuais, ela se manteve como tal por muito pouco tempo. Na década de 1970, quando o país ainda vivia sob o regime militar, a arte por correspondência se institucionalizou, entrando na mira da censura. A partir de então, a arte postal começou a perder muito de seu espírito crítico, embora os trabalhos de Bruscky se mantivessem bem-humorados ou com um sentido crítico menos explícito sobre o panorama artístico brasileiro, sobre o contexto político
ditatorial ou sobre acontecimentos cotidianos repressores.
Palavras-chave: arte postal, performance, Paulo Bruscky.

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